Rádio Engenho Velho

terça-feira, 2 de outubro de 2018

CORDEL

Escreveu:
Francisco Temóteo Ribeiro

Dia de 19 de setembro 2018 o cordel foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo Iphan.  
A literatura de cordel é forte como sertanejo. Aguentou seca, enchente, "sol quente de rachar", pelas ruas do meio das feiras do Nordeste Brasileiro. Não desistiu. Bravo pela persistência e sem sombra de dúvida pela resistência. Conquistando seu lugar no espaço cultural, afinal demorou mas foi reconhecido.  Sei que você já sabe, mas não custa nada lembrar: Cordel era chamado de folheto pendurado em cordão, barbante, exposto pelas ruas, um tipo de exposição, nas feiras livres para venda. Poetas  faziam a animação nas ruas das feiras livres do Brasil ao som de violas cantando repentes, uma espécie de competição, (peleja). Assim era  feita a divulgação dos trabalhos poéticos. 
Apesar de ter nascido em Portugal e trazido pelos nossos colonizadores aqui ganhou fama com Apolônio Alves dos Santos. Citamos o folheto "Maria Cara de Pau e  o Príncipe Gregoriano" em 1949. Apolônio é paraibano e participou da construção de Brasília antes de viver de sua poesia. 
Outro grande e conhecido, o  famoso: cego Aderaldo, cearense.  Firmino Teixeira do Amaral, piauiense criador de trava-língua. João Martins Athayde, pernambucano e  Patativa do Assaré, desse cearense não precisamos dizer mais nada. Poeta que representa as coisas do Sertão, conhecido internacionalmente. E muitos outros poetas agora de parabéns pela conquista e reconhecimento da literatura de cordel como patrimônio cultural imaterial. 
As regiões: Cariri Cearense,  Cariri Paraibano, Pernambuco, Piauí enfim, no nordeste brasileiro estão fincadas as raízes do cordel. Aqui ele (cordel) buscou no solo do sertão o seu ganha pão. Dos antagonismos: chuva que não chegou em tempo hábil (seca), vegetação que não floriu,  paisagem descolorida, animais que não resistiram a seca, o solo ardente e a planta que não germinou. Porém,  diga-se de passagem; povoaram a criatividade e o poeta colheu.  Amenizando a miséria cantando em seus versos a saga do sertanejo, como disse Euclides da Cunha: antes de tudo um forte". E concluímos: no final  da tempestade sempre o sol nascerá. 
Aí está a literatura graciosa, criativa, descontraída, elegante, contada, cantada  com significado e reconhecido culturalmente como patrimônio do Brasil.  Lhes apresento:  O Cordel. - Parabéns Poetas!
Vila Velha -Espírito Santo - Brasil.
 21.09.2018

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