Poeta Wilson Vieira
Eu
não vivo escrevendo
o que é
realmente necessário
porque não
sei.
Quisera
escrever a merenda e o sonho
das minhas
carências,
mas eu
posso?
O poeta só
quer fabricar
coisas
extraordinárias,
mas lhe
brotam as canções
com as
doenças das paisagens,
com as do
seu intestino,
malgrado o
farto empenho,
as suas
oblações e desatinos!
O engenho
das canções
escapa das
suas inábeis mãos
malgrado
os nervos travados!
O poeta
afere a palavra que assenta,
a idéia
que distribui e a que resulta?
Ah, mas se
tudo não é uma idéia:
é apenas
um sentimento escarificado,
sentimento
acantonado no continente
do
esquálido peito
é apenas!
O
poeta nem inventa,
nem afaga,
nem insulta;
ele apenas
abre a gruta
das suas
elaborações
e chama as
suas lavas,
acorda
seus vulcões!
Eu,
por mim,
evidentemente
não tenho palavras
e vivo
trabalhar
para não
morrer sozinho.
Poeta, em
Recife,
se conta é
no metro cúbico
e mesmo o
Brasil
está tão
desgraçadozinho!...
Ah,
mas não tenho culpa!
Eu só
lanço a frase,
eu só
lanço a frase
que, sem
mim, tadinha, morre.
Eu socorro
a frase,
mas quem
me socorre?

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